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15 de Setembro de 2019

Novo CPC derruba Lei da Presidente Dilma que acabava com garantias conquistadas pelos trabalhadores

Com a sanção do Novo Código de Processo Civil, dispositivos tratados na lei anterior 13.097/20015 foram revogados.

Publicado por Raymundo Passos
há 3 anos

A Lei 13.097/2015, promulgada em 19/01/2015, fruto da Medida Provisória 656/2014, no seu inc. IV, do art. 54, instituiu novidades nada boas para os trabalhadores. Esta Lei, editada sorrateiramente, acabava com toda e qualquer possibilidade que antes os trabalhadores haviam conquistado para impedir que as empresas se esquivassem do pagamento de suas dívidas trabalhistas.

Para melhor explicar no que implicava esta nova Medida Lei: o Conselho Nacional de Justiça, CNJ, cujo presidente era à época o ministro Cézar Peluso, recomendou a apresentação da certidão da Justiça do Trabalho (Recomendação CNJ 3/2012) nas escrituras. Esta recomendação fez com que toda e qualquer transação imobiliária tivesse que ter a apresentação de certidão negativa de débito trabalhista. Se nesta certidão constasse uma ação trabalhista, mesmo que esta ação não estivesse averbada na matrícula do imóvel, o trabalhador teria o direito de requerer a anulação da venda por tratar-se de "fraude ao credor", pois quem comprou o imóvel tinha conhecimento da ação e mesmo assim o adquiriu, o que poderia ser uma "armação" do devedor, no caso, a empresa, ou dos empresários, para não cumprir com suas obrigações não quitando seus débitos com o empregado. Ficando o devedor insolvente, ou sem bens a serem vendidos, e sem dinheiro em sua conta, o trabalhador não teria como requerer e receber seus direitos, facilitando a vida dos "mal intencionados".

Com a Lei 13.097/2015, a apresentação da certidão negativa de débitos trabalhistas (que aponta ações trabalhistas existentes por região) e a CNDT (certidão nacional de débitos trabalhistas), que aponta ações trabalhistas em fase de execução em todo o território nacional, deixaram de fazer efeito, pois, mesmo que conste nelas algum apontamento, se na matrícula do imóvel as ações não estiverem averbadas, a venda do imóvel não poderá ser contestada. E convenhamos, se tenho imóveis em municípios diferentes daquele que resido, dificilmente alguém saberá de sua existência para poder fazer a tal averbação em sua matrícula.

Com a sanção do Novo Código de Processo Civil, os dispositivos tratados na lei anterior 13.097/20015, referentes à fraude à execução, foram revogados, pois o novo CPC regula inteiramente essa matéria. Estabelece o Decreto-Lei nº 4.657, de 4 de dezembro de 1942 (Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro. Com redação dada pela Lei nº 12.376, de 2010):

"Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. § 1º A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior."

A fraude à execução passa a ter nova leitura do Novo Código Civil. Dessa forma, para sua efetivação, não será necessário que conste na matrícula do imóvel a averbação da existência da demanda prevista na Lei13.097/2015, pois com a edição do novoCPC não prevalece o caráter absoluto do registro imobiliário.

Além do mais, a exigência das certidões de feitos ajuizados, inclusive as da Justiça do Trabalho, independe de previsão legal, conforme recentes decisões do STJ, posteriores a publicação da Lei 13.097/2015 - RECURSO ESPECIAL Nº 1.365.627 – Spe. RECURSO ESPECIAL Nº 773.643 – DF.

Para concluir, é importante deixar claro que a intenção da Lei 13.097/20015 nunca foi dar maior segurança jurídica nas operações imobiliárias, mas atender aos interesses das instituições financeiras e dos milionários donos de cartórios de registros de imóveis, o que explica a aprovação de matéria processual civil através de MP em um ano de campanha eleitoral.

Fonte: agoraja

14 Comentários

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Triste é o país em que os direitos dos trabalhadores são sacrificados para beneficiar os setores ligados ao crédito imobiliário. continuar lendo

Concessa vênia, confusa a explicação ao rico tema do artigo, pelo que, solicito ao Nobre Autor mais profundidade na análise com emenda ao texto publicado. continuar lendo

Mais uma derrota para o currículo da Dilma. continuar lendo

Dilma que vota a lei né? Não quero defende-la. Mas nós brasileiros somos rotulados como burros por pensar que presidente que aprova a lei e não o congresso nacional, pois esse se quiser derrubar uma lei ou aprova-la, independe de presidente. Não precisa de presidente para aprovar uma lei, basta o congresso querer. continuar lendo

Joriel bom dia.
Em verdade ha interdependência entre legislativo e executivo quanto as leis originadas no Congresso. Vide veto presidencial. Assim como a MP executiva precisa ser convertida em lei pelo Congresso em ate 30 dias.
Abs.
Luis Gustavo continuar lendo

Eu só quis ser irônico. continuar lendo

A presidente desse Brasil de loucos vendia MP como em leilões para quem maior valor pagasse esse ou aquele segmento. As marcas da incompetência nos seguirão por anos quem sabe por décadas. O País foi tomado a força das mãos da incompetência em forma de pessoas. continuar lendo

Comentário verdadeiro e corajoso. continuar lendo